Tereza Bodemer

"Tudo posso, em Deus, que me fortalece!"

Textos

 

 

Nervos nervosos...

 

Meus nervos nervosos, curtidos nas dores da vida,

já não aguentam mais muitos desaforos. 

Autodefesa afiadíssima!

 

 

 

Eu fui uma adolescente e jovem, silenciosa.

Estive muito calada, no tempo em que estava aprendendo.

Engoli muitos sapos!

 

Deixei de me defender verbalmente a muitas provocações. Era meu tempo de estar calada...  Muitas coisas passei e não tinha um raciocínio lógico de defesa. Meu silêncio, muitas vezes, foi a minha defesa!

 

Mas o tempo passou e a vida me trouxe duras experiências, dores, decepções, enfermidades, altos e baixos, tristezas e alegrias, tempos leves e tempos difíceis... Um senso de responsabilidade agudíssimo, que me estimulava a não desistir jamais! Vencer as dificuldades, com garra e determinação, aprender as lições, na escola e na vida, era minha meta de vida!

 

Então os traumas emocionais foram sobrecarregando meus corpo, cérebro e nervos,  e adoeci... Difícil são as dores humanas! Aprender a ser justo e do bem é uma escalada dolorosa, bem difícil! Vencer as agruras da vida, uma difícil e pesada missão! Mas é possível... alguns desistem, outros nem tentam... Mas é possível!

 

A escalada da fé em Deus, na vida, na liberdade... Obedecer aos mandamentos sobre servir ao próximo, melhor que a si mesmo, não foi tarefa fácil, leve ou tranquila... Mas posso dizer com alegria que aprendi, com muita dificuldade, mas servi na minha casa e no meu trabalho, da melhor maneira que meu ser pôde!. Tinha vez que fazia alguma tarefa com muita pressão mental, sem vontade, sofrendo, mas enfrentava e cumpria o meu mister. Aquilo não era o que eu gostaria de fazer, mas fazia por obrigação, para ajudar, enquanto eu mesma não sabia o que queria fazer na vida.

 

Momentos de alegria e momentos de decepções foram se intercalando na minha caminhada. Ah, a dura arte de crescer!

 

Na casa dos meus pais sempre houve bons exemplos. Eles foram muito honestos e trabalhadores, bom disciplinadores, exigentes e presentes na vida da família, dos filhos. Davam o sangue para que tivéssemos uma vida boa, bem alimentados e protegidos, com bom exemplo de trabalho e dedicação. Não tinham preguiça e não mediam dificuldades. Por isso, estar na casa deles até os 25 anos de idade foi muito produtivo para mim. Me preparou muito para os anos seguintes que tive que viver. Época de trabalho doméstico, leituras, escola.  Ajudar no cuidado com os irmãos menores. Enfrentar uma doença: bronquite asmática e alérgia: complicado, limitante, mas não me barrou!  Aprendi uma liderança positiva, com o apoio dos meus pais. Aprendi a cuidar de mim mesma...

 

Então o casamento veio, e construímos uma vida tranquila, com prosperidade financeira, nascimento de duas filhas. Uma faculdade: Lertras, conquistei. Crescimento meu no meu trabalho junto ao TJRO. Foi bom o casamento, mas teve um fim. Enquanto eu tinha muito trabalho, responsabilidade gigantesca, porquanto tendo passado num concurso interno, assumi como Escrivã Judicial. Dura missão! O marido ficou com menos tempo meu, e passou a interagir na rua, nos trabalhos que desenvolvia como comerciante e taxista, e não faltaram oportunides para as espertezas das amizades oportunistas, facilitando o conhecer menininhas... Em dois anos, se deu o fim do casamento.... Foi traumático para mim, uma grande decepção! Dez anos e meio, que passaram, mas deram bons frutos... E uma grande decepção!

 

Com o trabalho duro na Escrivania Judicial, mais a decepção dolorosa do fim do casamento, e com a responsabilidade toda a se voltar para mim, foi difícil, traumático, depressão me pôs na cama... Mas venci! Não sozinha, pois teria morrido! Mas com ajuda dos meus pais, da família, da minha fé em Deus, oração da irmandade, e medicinal.. Venci e fui superando minhas limitações emocionais e verbais... As dores servem para nos ensinar algo, nos fazer mais fortes, nos fazer crescer, se as encaramos de frente, vencendo os medos e as limitações... É possível!

 

Depois dessa dor, outras tantas tive que passar mais. O segundo casamento trouxe dificuldades espirituais. Durou 8 anos e meio. Dei graças a Deus quando terminou! Não que ele fosse ruim pra mim, mas foi uma falsa aparência de bondade. Um perigo iminente, um inimigo que tinha inveja, que me roubou, que nada construiu, apenas roubou...... Mas venci! Superei também...

 

Morte de pai e irmã, de uma tia paterna querida... Ah! As dores d'alma!  Aceitar a iminência da morte, sentir esse fato corriqueiro e duro da vida, enfim acontecendo dentro da nossa família, difícil superação, mas com a nossa fé, vencemos. O tempo cura nossas dores! Saudade é o amor que fica!

 

Tantas dores, e também essas! A dor que sofri no primeiro divórcio, incomparável. Digo que naquela situação vivi uma guerra espiritual, que só venci e não morri, porque tive ajuda divina... As dores da morte trouxeram outros sentimentos, emoções... Não foi tão cruel a dor da partida que a morte nos dá, como a dor outra, a dor da traição, da decepção, da humilhação... Essa foi quase impossível de vencer, mas... consegui! Graças a Deus!

 

Hoje aposentada, ainda sindo a sequêla mental dos problemas emocionais que vivenciei. Durante quase vinte anos tomei remédio químico para não surtar, para ter mais controle das emoções em crise, mas não foi bom! Tomar tantos remédios não trouxe o bem estar que eu precisava! Muito pelo contrário! Viver era um peso, uma carga pesada a carregar, que me fazia ter apenas forças para ir trabalhar, mas em casa não tinha disposição alguma para algum trabalho doméstico, apenas acompanhar as necessidades intransferíveis, como dar atenção e educação às filhas pequenas...  Mas com ajuda de emprega e da minha mãe, que passou a morar comigo quando da morte do meu pai, fase superada com louvor! Graças a Deus, sempre!

 

Mas o tempo vai passando e as coisas acontecendo, e a vida acontecendo e deixando seus resultados. Hoje aposentada estou mais saudável que noutras épocas anteriores desta minha curta e intensa vida. Porém, vejo que toda a carga pesada que carreguei, me deixou com uma língua afiada e uma mente que pensa rápido, mas que ainda sente o cansaço do trabalho árduo que enfrentei. Tem momentos que me estresso, sim. Quero mais força mental, mas estou buscando... Penso que com o tempo o desgaste mental vai sendo superado e minha mente, mais descansada, ficará mais tranquila e calma. É como quero!

 

Ultrapassei as limitações humanas impostas a uma mente feminina. Que aprende desde cedo a obedecer sem questionar, a servir e trabalhar, servir e trabalhar, trabalhar e servir. Graças a Deus por toda experiência de vida que vivi. Foi duro, mas a esta altura da vida, posso entender que foi útil e importante a meu desenvolvimento pessoal, profissional, espiritual. Tudo contribuiu para meu crescimento como pessoa humana, como mulher. 

 

Não vivi uma vida de facilidades. Mas também não vivi uma vida de privações. Tive que estudar muito, ler muito, trabalhar muito, para ser e ter o que sou e conquistei. Uma idade madura, uma terceira idade com condições de cuidar de mim, de ajudar família e alguém mais, poder em muitas situações dizer o que penso, de cobrar mais respeito quando percebo que alguém está querendo me passar a perna, me prejudicar.

 

Tenho uma vida abençoada, graças a Deus! Herança que ganhei dos meus pais, professores, chefes, colegas, irmãos, amigos, filhas, netos e mesmo maridos... Sim! Tudo contribuiu para meu crescimento como pessoa humana.

 

Já não engulo mais sapos! Não é muito fácil expor a verdade que sentimos, dizer o que achamos que precisa ser dito, porque sei que as vezes exagero e isso pode magoar quem houve, porque as pessoas não gostam de admitir seu erros, ou de ouvir outras verdades, que não as suas.

 

A verdade é uma coisa bem difícil de dizer, de ouvir. Mas realmente acredito que a verdade cura. Ser sincero nos relacionamentos é importante para nossa consciência e para a harmonia da nossa vida, e para vencer algumém inimigo oculto... 

 

Nem sempre vamos conseguir viver a vida toda com as pessoas, porque as amizades vão e vem, familiares morrem, casamentos acabam... Mas aprender a conviver é necessário. Apesar de  não ser fácil, porque cada pessoa tem seu modo de ser e de fazer, diante de tudo que aprendeu... e tem muita gente que aprendeu muito mal... Mas com respeito e cuidado, podemos conviver com as pessoas que precisamos, vencendo as diferenças, sem medo de ser feliz...

 

O mais importante de tudo é aprender a superar e buscar sempre ser uma pessoa que acredita no Bem maior, na Verdade maior, na Justiça que corrige e liberta. Para termos um mundo melhor a nossa volta existem sacrifícios a serem vivenciados, porque a liberdade tem um preço! E posso dizer, com certeza: - É muito caro! Mas sempre valerá a pena!

 

Desabafo realizado, termino agradecendo a Deus pela vida que tem me ajudado a usufruir, nessa linda terra, cheia de encantos e belezas, e junto aos humanos com uma experiência gigantesca, que é mesmo um grande desafio, muita dureza, mas que pode nos trazer muito aprendizado, realizações, alegrias...

 

Então só me resta agradecer.

Gratidão! Gratidão, meu Deus! Obrigada, Senhor! Gratidão!

 

 

 

 

Maria Tereza Bodemer
Enviado por Maria Tereza Bodemer em 03/08/2022
Alterado em 04/08/2022


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